Hoje no Brasil existem 6 milhões de mulheres a mais que homens de acordo com pesquisa do IBGE, mas mesmo sendo a maioria presente nas ruas e locais públicos, este fato não faz com que certas ações sejam evitadas. Temos hoje no país a lei Maria da Penha que visa coibir a violência contra mulher, mas será que só agressões físicas são consideradas agressivas?

Não sei quem lê este blog, mas todas as minhas amigas e colegas de trabalho, qualquer mulher que eu conheço já recebeu algum tipo de cantada na rua, tem mulher que até gosta do “agrado” e acha que “aumenta o ego”, por mais estranho que eu ache isso. Mas enquanto tem homens que apenas viram o rosto para encarar, existem alguns malucos que insistem em falar coisas imundas e de extremo mal gosto. Isso aconteceu comigo mais de uma vez já, e depois que passa eu me sinto mal. Seria minha roupa? Meu jeito de andar? O que eu fiz para que esta criatura monstruosa do sexo masculino interpretasse que ele tem liberdade para me tratar desta maneira?

Encontrei uma mulher no mundo que se incomoda com isso tanto quanto eu, ela é Sofie Peeters, de 25 anos e mora em Bruxelas, capital da Bélgica. Ela fez um documentário como trabalho final do seu curso de cinema chamado “Femme de la rue” (“Mulher da rua”) e com câmera e microfones escondidos ela gravou os insultos que sofre nas ruas da cidade.”Nós mulheres somos atormentadas todos os dias, e não acho que seja certo deixar isso pra lá e tentar se acostumar”, acredita a universitária, e nisso eu também acredito.

Uma pesquisa citada pela New Statesman perguntou em alguns países quão seguros os homens e as mulheres se sentem ao caminhar sozinhos na rua durante a noite e dos 143 países pesquisados em TODOS as mulheres são as que se sentem mais inseguras. Na Nova Zelândia 85% dos homens dizem se sentir seguros, enquanto somente 50% das mulheres afirmam a mesma coisa. Na Geórgia é onde os índices são mais próximos: 90% das mulheres e 93% dos homens se sentem seguros. No Brasil, os números são de 40% das mulheres e 57% dos homens.

Mulheres sofrem quase todos os dias assédio verbal. Por mais que não seja um ato tão grave quanto uma agressão física, que é crime no Brasil, esse tipo de “violência” é a mais comum entre as mulheres e não concordo que tenhamos que deixar passar em branco. Quando a cantada é discreta e bonitinha, ainda releva-se, mas tem cada maluco pelo mundo. Até quando teremos que sentir medo, desconforto ou vergonha nas ruas?

Assista o documentário “Femme de la rue” (Legendas em Inglês)

Fontes: Revista Samuel
IBGE

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1 Comment on Assédio verbal, você já ouviu hoje?

  1. Isso é tão comum aqui no Brasil… Já escutei brincadeiras de mulheres dizendo que quando nem um operário elogia é pq a situação esta crítica! E normalmente esses são os piores elogios! Ja escutei cada coisa tão chula que nem dava para acreditar!

    Isso é o reflexo do mundo machista! =/
    Beijos

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