Materiais

Resenha de materiais para desenho e pintura. Papéis, canetas, tintas e o que mais vier.

Comparação: Prismacolor vs. Faber Castell Polychromos

Qual lápis de cor comprar? Faber Castell Polychromos ou Prismacolor?

Lápis de Cor Prismacolor

Eu e os lápis de cor da Prismacolor Premier

Eu nunca fui muito a fim de lápis de cor para colorir desenhos, mas de uns anos pra cá eu fiquei bem viciada neles. São mais práticos pra carregar nas viagens que faço pra Minas para visitar minha família e eu comecei a me arriscar mais nas cores pra me acostumar a colorir as coisas que eu faço – pois sempre achei que se eu colorisse eu estragaria tudo. Com isso eu pedi pro meu irmão me mandar há uns anos atrás uma lata dos lápis de cor da Prismacolor lá da Inglaterra, quando ele foi estudar por lá.

Eu fiquei com eles um bom tempo por aqui sem usar, não me acostumava por nada e toda vez que tentava apontar eles quebravam demais, tanto que alguns estão bem pequenos. Até que me dei conta que poderia tentar usar o estilete para apontar – lembrei da minha prima que fazia arquitetura e só apontava os dela assim – e pronto! Me acertei com eles e comecei a utilizá-los. Foi um caso de amor maravilhoso e eu adorei o acabamento que ele dá para os meus desenhos. As cores ficam bem vibrantes e bem lindas, como você pode ver nesse desenho que fiz.

Lápis de Cor Faber Castell polychromos

Eu e os lápis da Faber Castell Polychromos

Eu já havia comprado alguns lápis da Faber da linha azul e não tinha gostado nada deles. Achei que era bem difícil pegar no papel, as cores ficavam bem apagadas, manchavam muito e por isso as 12 cores que comprei acabaram ficando esquecidas por aqui. Até que um dia vi muitos ilustradores visitarem a fábrica da Faber Castell e uma querida amiga, Sabrina Eras, foi e me contou sobre uma caixa de lápis que ela ganhou da marca. Faber Castel Polychromos, lata verdinha, linha mais profissional. De acordo com ela o lápis mais macio que ela já usou na vida.

Coloquei então como meta de consumo e na viagem que fiz final de 2017 para França para visitar meu irmão, comprei uma caixa deles pra chamar de minha e voltei já colorindo com eles. Realmente macios pra caramba, cores vibrantes e maravilhosas! Nada parecidos com a linha vermelha(escolar) e muito menos com a azul. Dá pra ver um desenho que fiz com eles aqui.

Comparando os Lápis: Prismacolor Premier VS. Faber Castell Polychromos

Como as duas marcas são muito utilizados por ilustradores resolvi fazer um post comparativo, já que quando eu fui comprar eu tinha uma dúvida monstra de qual seria melhor e não achei nenhum lugar falando sobre isso, assim sendo resolvi fazer alguns testes e ver se eles realmente apresentam diferença. Para fazer isso eu escolhi cards de papel Hahnemühle YouTangle.art, um papel delicioso e bem liso, assim seria mais fácil sentir a diferença dos lápis. Usei o mesmo papel para os dois lápis.

Papel Hahnemuhle quadrado, latinha

Aí escolhi duas cores que tivessem alguma equivalente nas duas marcas, para conseguir observar com mais facilidade as diferenças. Peguei um azul claro e um rosa bem chiclete.

Prismacolor versus Faber Castell Polychromos

Colori então com pequenos movimentos circulares, segui o mesmo esquema para os dois lápis de cor, para ver se haveria alguma diferença no resultado deles, tanto fazendo um leve degradê da cor, quanto pintando de forma mais firme, para a cor ficar mais uniforme. Fiz iso com o azul e depois joguei o rosa para mesclar as cores e ver como elas iriam interferir na hora da mistura.

Gif Colorindo Com Lápis de Cor em pequenos movimentos circulares

O que os testes mostram?

Card com testes do lápis Prismacolor

Os lápis da Prismacolor Premier são bem macios e cobrem muito bem quando utilizados com um pouco mais de força. Os movimentos circulares garantem uma cobertura praticamente uniforme e as cores ficam bem vivas. Ele é bem fácil de trabalhar com degradês e faz uma boa mistura na hora de sobrepor cores.

Card com testes do lápis Faber Castell Polychromos

Os lápis da linha Faber Castell Polychromos são extremamente macios, cores vibrantes e cobrem super fácil o papel. Na hora de misturar e sobrepor as cores, a maciês ajuda bastante e fica mais fácil não marcar a junção das cores no papel.

Cards com os testes do lápis de cor Prismacolor e Faber Castell Polychromos lado a lado para comparação

Colocando as folhas lado a lado dá pra perceber que o Prismacolor garante um preenchimento mais uniforme quando utilizado com mais força ou camadas mais escuras, porém o Faber Castel permite uma mistura de cores e uma sobreposição mais uniforme e menos marcada, deixando o trabalho mais orgânico.

Conclusão

Prismacolor versus Faber Castell Polychromos

As duas marcas são realmente ótimas para se trabalhar. Na questão de cores todas tem ótimos pigmentos e deixam o trabalho bem bonito, o que vai ditar qual tipo de lápis seria melhor para você será o modo que você pretende trabalhar ou o resultado que você pretende obter.

Se você quer um toque de pintura mais leve, com bastante sobreposição de cores, a linha Faber Castell Polychromos vai ser super indicada pra você. Mas agora, se você quer algo mais vibrante e quer carregar mais nas cores e na força na hora de aplicar no papel, o Prismacolor Premier é um lápis que não vai te deixar nunca na mão e vai garantir ótimos resultados.

As conclusões eu tirei comparando as duas marcas são bem pessoais e tentei fazê-las da melhor maneira possível, porém lembro sempre que as ferramentas não fazem o artista que você é, então nada aqui é regra, viu? Experimentar e achar o que mais combina com seu estilo e seus estudos é sempre válido, este post não substitui um teste de materiais, mas visa apenas mostrar algumas diferenças dos lápis de cor para tentar orientar um pouco mais.

Quem já usou os dois concorda comigo? Você usa alguma outra marca que gosta bastante? Conta pra mim =D

Papelarias Por Ai | Paris

Papelarias em Paris

Eu sou muito a louca da papelaria e isso é uma coisa que quem me segue por aqui já pode estar cansado de saber, então por esta razão tive que vir no blog e contar como foram minhas experiências “papelísticas” do outro lado do oceano, e se vocês também gostam tanto quanto eu, também vão adorar!

Fui para esta viagem pensando em comprar alguns materiais que aqui no Brasil são mais caros, difíceis de encontrar ou então nem têm por aqui. Reservei um fundo pra isso e chegando lá a ideia era pesquisar para encontrar o melhor preço, fazendo assim meus eurinhos renderem mais.

Um merci beaoucoup – obrigada – gigantesco para Marie Margo, uma ilustradora que sigo no Instagram que me indicou as lojas e salvou minha vida, e dinheiro.

Rougier&Plé - Papelaria em Paris

A primeira que fui foi a Rougier&Plé, uma rede enorme de papelarias espalhadas por toda França que nasceu em 1854. Ao entrar é como se uma energia tomasse conta de mim, um Da Vinci, um Michelangelo e a vontade de levar uma coisa de cada de lá me transbordou. Materiais de pintura, scrapbooking, artigos de papelaria no geral e muita coisa linda pra ficar doido mesmo.

Prós e contras: Esta rede compensa pra quem procura coisas para planners e scrapbook. Tem muito carimbo, adesivo, decalque, pedras, colantes, tudo que você pensar e mais um pouco com preços bem bacanas. Além disso tem calendários lindos! Mas se você procura tintas e pincéis mais específicos pra aquarela ou mais profissionais de pintura, o que eu estava procurando, não compensa.

Rougier&Plé - Papelaria em ParisImagem

Rougier&Plé - Papelaria em ParisImagem

Rougier&Plé

Onde fui? 108 Boulevard Saint-Germain, 75006
Estação mais próxima: Odéon
Site da rede: http://www.rougier-ple.fr/

Sennelier - Papelaria em Paris

A Sennelier é famosa por seus materiais de fabricação própria que existem desde 1887. A loja fica pertinho de Notre Dame e é bem pequenininha, mas super charmosa. Só descobri o segundo andar dela desta vez.

Prós e contras: Só encontrei materiais de caligrafia japonesa – pincéis ENORMES e caríssimos – nesta loja. Além, disso foi a única que também vendia os pincéis da marca Escoda, que eram os que eu estava procurando. Papéis e tintas da própria marca são mais caros nesta loja – o que é uma pena, mas a localização e a loja valem o passeio.

Sennelier - Papelaria em Paris

Sennelier - Papelaria em ParisImagem

Sennelier

Onde fui? 3 Quai Voltaire, 75007
Estação mais próxima: Tuileries
Site da loja/marca: http://www.sennelier.fr

Passage Clouté - Papelaria em Paris

A última e mais distante de todas, mas que valeu cada centavo de euro, foi a Passage Clouté, que existe desde 1995. Demorei pra chegar de metrô com o irmão por lá, mas foi onde encontrei os melhores preços de tintas, pincéis, sketchbooks e canetas. Vou fazer um post do que eu comprei por lá logo logo, mas já aviso que não tem pra eles. A loja é gigantesta e com uma variedade de coisas que vai deixar qualquer um doido.

Prós e contras:Fica mais longe, dependendo de onde você está e é difícil ser atendido em inglês, sorte que meu irmão é bom no francês, pois queria coisas muito específicas e as moças não entendiam, mas compensou e acabei comprando todo o resto da lista que eu levei por lá, pois umas promoções estavam ótimas!

Passage Clouté - Papelaria em ParisImagem

Passage Clouté - Papelaria em Paris

Passage Clouté

Onde fui? 7 Rue des Boulets, 75011
Estação mais próxima: Nation
Site da loja: https://passagecloute.com/

No geral compensaram muito as compras que fiz por lá, mas o que reparei é que marcas americanas e inglesas são mais difíceis, quase impossíveis de serem encontradas nas lojas, como Prismacolor (lápis de cor) e Daniel Smith (tintas) por exemplo. Mas e aí? Curtiu o tour e as dicas de papelaria? Que tal fazer uns aqui pelo Brasil também?

Material: Pestilento – Aquarela

Pestilento, produtos para arte.

Foto de duas bisnaguinhas de tinta Pestilento e um godê com as duas tintas abaixo.

Quem é?

A Pestilento é uma loja de produtos para arte feitos artesanalmente. Sim você não leu errado, eles fazem os produtos que eles vendem, até as tintas!

Conheci a loja por conta da Carol Passos, que além de uma artista maravilhosa, é a “mamãe” da marca. Como seguia ela no Instagram, logo vi os materiais da loja aparecendo.

Ela e o calígrafo Go Carvalho resolveram criar a marca para poder fazer materiais de qualidade e com preços mais acessíveis para o país, já que a maioria dos materiais é importado, o que dificulta o acesso, e o preço sempre mais salgado. Surgiu então a Pestilento, que tem este nome devido ao gato que eles tinham.

Teste em papel com as cores Yogurte e Vanilla da Pestilento.

Aquarelas

Quando bati o olho na Vanilla eu tive um pequeno surto. Uma tinta que muda de cor e fica furtacor de acordo com a luz? Eu precisava testar isso! Então juntei moedinhas e fiz meu pedido dessa cor maravilhosa e da Yogurte, já que meu rosa está indo pro beleléu. Paguei por depósito e logo me enviaram, rapidinho!

Mal ela chegou e lá fui eu testar e ver como elas reagiam. A Yogurte tem uma boa transparência e pra mim rendeu super bem. A Vanilla tem a mesma texturinha e deixa um efeito magnífico. Eu fiquei sem ar. Você pode ver mais aplicações dessa tinta no papel de parede de abril aqui do blog, que usei ela nos cabelos da sereia. Simplesmente minha preferida.

Teste em papel com a cor Vanilla da Pestilento, em cima de outras cores.

Mais coisas lindas

Agora estou namorando as metalizadas em conchinhas (você leu certo, as tintas vem em conchas), como a Klimt e a Tengu, cores lindíssimas e que já vi que devem ser tão boas quanto. E as fluorescentes Chernobyl e Fukushima, que tem um tom bem chamativo, coisa linda de ver.

Tinta Tengu numa conchinha e kit de aquarelas fluorescentes

Em breve eles vão contar com outros tipos de tinta, e você encontra materiais como godê, estojos e outros mais lá na loja. Já conhecia?

Para mais informações acesse:
Loja on-line | Facebook | Instagram

Testando Papel de Aquarela

Papéis de Aquarela, qual a diferença?

Foto de papéis de aquarela em branco.

Esses dias fui mexer nas minhas coisas e descobri que eu tinha sete tipos de papéis diferentes para aquarela. Alguns em bloco, outros em pedaços menores que sobraram de outros tempos, de quando eu comecei a resolver aprender a técnica e tive aulas com a Sabrina Eras, de vários tipos e marcas diferentes.

Acontece que se tem uma coisa que sempre me intrigou é a diferença que o papel dá quando você vai pintar. Eu achava que não importava o papel de aquarela e a tinta que eu usava, (que quem sabe pode ser o próximo tópico) mas na verdade eles mudam muita coisa, por isso peguei um pedaço de cada e resolvi mostrar pra vocês as diferenças e contar um pouco mais sobre eles.

Papéis de aquarela com suas descrições.

Quais tipos de papel de aquarela existem?

Podemos diferenciar os papéis de aquarela pelo material de que são feitos, os mais comuns são os 100% celulose (feitos de fibras de madeira) e os que são 100% algodão. Os de algodão costumam ter uma melhor absorção da água e do pigmento, por isso são os preferidos de quem pinta. Existem alguns papéis interessantes com fibras de banana, bambu, mas que são mais difíceis de encontrar.

Também diferenciamos os papéis pela maneira que são feitos. Temos os coldpressed (prensados à frio) e os hotpressed (prensados à quente). Os papéis coldpress costumam ser mais rugosos, tem mais textura e uma secagem mais demorada. Os hotpressed são mais lisos, puxam menos água e secam bem mais rápido.

Além disso ainda vem a diferença de textura. Os papéis torchon ou rough grain são bem rugosos, com uma textura bem marcada. Os grana-fina, goft Grain ou fin tem uma textura um pouco mais suave e o satinado, ou satine, quase não apresenta textura, é até gostoso passar a mão e sentir o papel.

Depois de escolher tudo ainda temos que escolher a gramatura do papel, de maneira mais simples, a espessura. Para trabalhos com mais água são indicados sempre papéis com uma gramatura mais alta, como 300g, mas encontramos também em gramaturas menores, como 240g e 180g. Quanto menor, mais fina a folha.

É legal saber se o papel que você compra é Acid Free, que significa que este papel tem pH neutro dificultando o amarelamento do papel com passar dos anos.

Os papéis que eu já testei

Abaixo eu vou mostrar os papéis que tenho em casa. Fiz um pequeno teste em cada um da mesma maneira pra vocês verem como a tinta reage. Usei a mesma tinta (Lukas Dioxazine Violet) em todos também. Na parte de cima um degradê seco (pincel com tinta em cima e puxa o pigmento com água) e embaixo um borrão molhado (mancha de água pura no papel com pontos de pigmento). Também consegui pegar a textura do papel nas fotos, acho que vocês vão conseguir ver a diferença de um para o outro, sendo da mesma marca.

Arches

Arches 300g Coldpress Torchon

Arches 300g Coldpress Grana Fina

Arches 300g Hotpress Satinado

Dá pra ver claramente a diferença de textura de um para o outro, todos da mesma marca, porém com texturas diferentes. Dá pra ver também como a tinta seca mais rápido no satinado, perceba como a tinta corre pouco e quase não espalha a mancha, já no torchon a mancha fica bem mais suave.

Comprei os Arches logo no começo das aulas de aquarela com a Sabrina. Ela falou que se desse era legal comprar as folhas de várias texturas e testar o que cada uma fazia. O torchon eu tenho o bloco, mas as outras comprei em folhas grandes e cortei, separei em saquinho e marquei o nome. Gosto bastante dessa marca, acho que as coisas que faço nesses papéis são bem bacanas (claro que depende da habilidade da artista aqui), mas o preço desse papel já é mais salgado por ser um produto importado. Só uso essas folhas em encomendas que me fazem para quadrinhos, ou coisas assim.

Canson

Canson 300g Montval Grana Fina

Canson 300g Moulin du Roy Grana Fina

Canson 300g Moulin du Roy Satinado

Esses eu descobri a pouco tempo, mas que tem um custo benefício bem bacana já que tem bloco com 100 folhas a preço bem bacana em algumas lojas. O Montval é uma linha mais estudante, tanto que é 100% celulose e dá pra ver em comparação com os outros a diferença de como o pigmento reage. A textura não é tão forte (algo que eu particularmente não gosto) e dá pra fazer coisas mais delicadas.

A série Moulin du Roy é uma delícia! O satinado tem uma textura maravilhosa, mas já garanto que não é nada fácil domar a tinta nessa folha. Ganhei umas duas para testar e dei uma sofrida nos exercícios (lembra que a tinta seca mais rápido?), e nisso o grana fina já fica bem bacana, pois é quase sem textura e não seca tão rápido quanto ao satinado. Dos que usei, o meu preferido é este verdinho!

Lukas

Lukas 180g Coldpressed

Comprei um bloco desta folha em um curso que fiz na Sala Ilustrada com a Sabrina, pois não tinha papel pra treinar em casa, e na época quebrou meu ganho. A textura dele é bem diferente dos anteriores, a gramatura também é menor, o que faz ele enrugar bem mais dependendo da quantidade de água aplicada. Para quem está começando e quer um papel para treinos, vale sim, mas hoje indicaria mais o Montval pela gramatura e a textura, que me agradaram mais.

Qual é o melhor papel de aquarela?

Quando descobrimos as características dos papéis ficamos bem perdidos e não sabemos qual escolher. Tantas possibilidades, características e marcas, uma doidera. O que tenho pra dizer é o seguinte: experimente! Tente arrumar com pessoas papéis variados, ou se você puder, invista em folhas de marcas e texturas diferentes para testar. Não tem uma MELHOR, tem a que você vai gostar mais de trabalhar e a que você vai mais se adaptar.

Eu demorei pra entender as diferenças das folhas e o que elas causavam no resultado do que faço, mas hoje já sei a folha que tenho que usar para o resultado que eu preciso ou quero atingir.

Espero que com este post eu tenha conseguido explicar um pouco sobre os papéis de aquarela e que vocês tenha ficado com vontade de sair pintando por ai.
Ajudinhas do blog da Kris Efe.