Aproveitando que essa semana foi divulgado os concorrentes ao Oscar desse ano, iremos aproveitar para comentar um dos concorrentes na categoria “Melhor Animação”, a co-produção entre Espanha e Reino Unido: “Chico & Rita”.


A época é Havana de 1948, e estamos numa uma noite de muito boêmia. Ao ir a um bar com seu amigo Ramon, acompanhados de duas americanas, Chico conhece a cantora Rita, que se apresentava naquele instante. Naquele mesmo momento, percebemos que não apenas a voz extraodinária dela que encanta o rapaz. Porém, ela acaba indo embora com um gringo para outra casa noturna, a Tropicana.
Lá, ficam sabendo que devido a um acidente, o pianista que iria se apresentar não pode ir, então Chico acaba tendo que tocar piano ao lado de Woody Herman and Four Brothers Band. Desse modo, chamando, então, a atenção de Rita, que apesar dos olhares, não estava dando bola ao rapaz. Ao saírem da clube, ela acaba pegando carona com a turma de farristas.




Ramon deixa o casal, recem conhecido, em outro bar que Chico aparenta frenquentar para tocar piano, começa a se aproximar mais da cantora, até que tarde da noite seguem para a casa dele, passando juntos.


Na manha seguinte, aparece Juanna, uma das namoradas de Chico, que causa grande tumulto. Lógico, que Rita vai embora e não quer ver mais o pianista nem pintado de ouro. Mas bem sabemos que não é assim que acaba… Chico comenta com Ramon – que é seu agente, também – que ela pode ser a cantora que precisam para ganhar um concurso da rádio local, RHC Cadena Azul. Apesar dos desentimentos, Ramon intervém e convence Rita a participar. Dito e feito, todos ficam impressionados e vencem.



Durante uma das apresentações da dupla, um americano começa a falar com Rita sobre uma proposta de leva-la para os Estados Unidos, porém ela recusa assinar o contrato por não ter o nome do Chico. Quando ela vai falar com ele sobre isso, já embriagado, o pianista, em meio a uma crise de ciúmes, discute com ela e vai embora sozinho. A cantora até persiste que só iria embora se ele fosse junto, mas uma série de contratempos acontecem, e o expectador fica sendo cúmplice de como as coisas poderiam ter sido diferente.


No dia seguinte, Rita embarca para os Estados Unidos, deixando Chico e suas lembranças para trás. Apesar de ser tido para ele nunca mais procura-la, a dupla de amigos vende o piano, junta dinheiro e vai rumo a terra da Estátua de Liberdade, onde todos tem oportunidade. A essa altura, Rita, se encontra com sua carreira ascendente e Chico, apesar de tudo, ainda ama a cantora, tenta seguir adiante como pianista também. Infelizmente, devido a uma trapaça dos agentes de ambos, eles acabam se separando, sobrando a Chico ser deportado pra Cuba.



Num primeiro momento não me interessei tanto por esse filme, mas ao final é um bonito romance, e sua narrativa em forma de lembranças é algo que me agradou bastante. A produção “Chico & Rita” mostra muito mais do que uma busca atrás do amor de sua vida, e como as pessoas são em diversas ocasiões. Em meio a imprevistos, conclusões precipitadas e valores. Ao mesmo tempo que mostra o povo latino, sempre feliz, apesar das adversidade, há também uma crítica com a presença deles nos Estados Unidos.


A produção, em rotoscopia, de Javier Mariscal e Fernando Trueba, tem não apenas uma narrativa envolvente, como a própria arte é um capítulo a parte. Enquanto vemos personagens que se movem com tanta suavidade, temos belos cenários desenhados, e valorizando muito o traço do ilustrador, algo que gosto muito nas produções 2D. Da mesma maneira, que os enquadramentos, o movimento de câmera, os objetos se deslocando para passar a sensação de profundidade, vemos muito uso do Toonboom nessas sequências. A cena do acidente de carro, ainda no começo, é linda de se ver e imaginar como foi produzida.




A trilha sonora é um capítulo a parte, algo que sempre que ouço sinto (ainda mais) vontade de conhecer os países da América Central. Dá até vontade de correr atrás dos anos perdidos e voltar a tocar piano, hehe. Produzida por Bebo Valdés (do Buena Vista Social Club), é algo que não se pode deixar de ser comentado, visto que o filme gira em torno das canções, além das participações de diversos músicos como Charlie Parker e Chano Pozo.



Recomendo, para quem quiser acompanhar os indicados esse filme, pois após assisti-lo achei bem justo estar concorrendo, e foi uma grande surpresa não ter visto entre os indicados, os filmes: “As Aventuras de TinTin” e “Rio”, como sempre mantenho minhas dúvidas em relação aos critérios da acadêmia. Mas por hora é isso.


Bom final de semana para todos.
Ateh!

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