Após uma semana corrida de participação na Semana Acadêmica de Design da UTFPR, aqui em Curitiba, para descontrair, um filme que estava querendo assisti-lo a um bom tempo… Hoje, no Chocottone, vamos falar um pouco de “Metrópolis”.


Metropolis é uma produção baseada no mangá do – já falecido – Osamu Tezuka, criador do Astro-Boy, e inspirada no filme mudo alemão Metropolis, de 1927. A produção ficou a encargo da parceria da Madhouse Studios (que também produziu Redline), responsavél pela parte de animação e a Tezuka Productions (gerenciando a parte conceitual do projeto).



A cidade de Metropolis é uma cidade futurista onde humanos e robôs convivem, contudo, devido a isso, existe o desemprego, onde os menos abastados ficam excluídos em locações subterrâneas da cidade, e culpam as máquinas pela falta de emprego para todos. Devido a isso, acontecem muitas manifestações, porém, com o período de inauguração da Zigurate, há uma segurança maior para impedirem essas revoltas.


Chega a cidade o detetive japonês Shunsaku Ban, acompanhado de seu sobrinho Kenichi, que buscam um cientista perigoso, o Dr. Laughton, que é acusado principalmente por tráfico de órgãos. No entanto, ele trabalha – secretamente – para o Duke Red, que é chefe do partido Marduk, o qual é um movimento anti-robôs, que por sua vez, traz o garoto Rock (seu filho adotivo) como principal participante.




Porém, durante as investigações de Shunsaku, Kenichi e o robô emprestado pelo departamento de polícia 803-D, R-P, DM, 497-3C, chegam até o laboratório do Dr. Laughton, porém ele está em chamas, por causa do ataque que Rock realizou, por não concordar com as pesquisas dele, e achar que esganando seu “pai”. Kenichi encontra a jovem Tima, e acaba resgatando, mas se perdem nos subterrâneos da cidade. Mas com a ajuda da robô de limpeza Fifi, conseguem sair de lá.




A partir desse ponto, o filme gira nessa caça de Rock, atrás de Kenichi e Tima, ao saber que ela sobreviveu. Enquanto seu tio, denta desvendar os planos sórdidos do Duke Red, e o que envolve a Zigurate. Que se trata de uma arma, no alto de um arranha-céu, que lhe daria poderes para trazer o caos ao planeta, por conflitar os sistemas dos robôs. No filme existe uma forte – constante – referência da história da Torre de Babel, e a prepotência dos humanos em criarem algo mais forte do que eles, e acharem que ainda podem exercer algum controle sobre isso.




Como qualquer filme, ou produção em geral, as vezes nossas interpretações dependem muito do nosso repertório. Enquanto assistia “Metropolis”, me lembrou muito a história do anime Solty Rei (onde a protagonista é uma menina-robô que tenta se humanizar, também), os episódios do Animatrix (em particular os curtas The Second Renaissance parte 1 & 2, os quais mostram a rebelião dos robôs contra os humanos), uma sutil lembraça do game Final Fantasy VII (lançado para PS1 em 97, pela cidade de Midgar) entre outros detalhes, que as vezes podem parecer que foram referencia do começo do milênio, no entanto, ao saber que é baseado num mangá de 1949, percebi que é muito diferente.


Gostei bastante de “Metropolis”, estava querendo assisti-lo a muito tempo, pois as poucas imagens que vi eram de cenários, então fiquei bastante surpreso ao ver o visual dos personagens. Nunca fui muito fã de Astro-Boy, mas o traço desse tipo de trabalha do Tezuka Productions denotou um ritmo de narrativa particular, 1) por trazer proporções de personagens bastante cartunescas, dentro de um contexto, consideravelmente não infantil (visto que nos EUA foi taxada a classificação PG-13, por exemplo), e 2) que parecia em muitos momentos que estava assistindo as cutscenes de jogos de RPG.


O filme mostra-nos uma lição, quem sabe para a época do mangá, até ainda inovadora, hoje conhecemos muitos desse tipo de produções que mostram que algumas máquinas atingem uma humanização a qual as vezes não temos, como, no início da revolta entre rebeldes, em que o robô ajudante do detetive Shunsaku Ban, 803-D, questiona “Por que humanos usam violência em suas questões?”. Parace clichê, soa como tal, mas até hoje vemos que isso não mudou.


Metropolis é uma animação bonita, envolvente e com uma trilha sonora insipirada, fortemente, no jazz de Nova Orleans, com direito a música “I Can’t Stop Loving You” – Ray Charles, usada no clímax do filme. Essa combinação de aventura, ficção científica e um leve clima de investigação noir, torna o produção uma boa escolha para os interessados.


Mesmo sendo final de domingo… ainda dá tempo de curtir o filme.
Boa semana semana para todos.
Ateh

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1Pingbacks & Trackbacks on Metropolis (2001)

  1. […] produção me lembrou “Tekkon Kinkreet” – pelo estilo de desenho usado – e um pouco “Metropolis”, visto que a história de “No Robots” não chega a ser algo inédito, mas sempre chama a […]

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