Hoje falaremos da obra que tornou-se primeiramente mais conhecida aqui no Brasil, antes das produções exibidas em cinema, o assunto de hoje é “Meu Vizinho Totoro” (Tonari no Totoro).


Continuando nossa homenagem ao mês Miyazaki comentaremos um pouco sobre essa animação… Ao contrário dos filmes anteriores, nesse vemos algo num foco bem diferente. Nas aventuras das irmãs Satsuki e Mei vemos muito mais de uma viagem pelo imaginário infantil. Ao se mudarem para uma nova casa, que tem a lenda de ser mal assombrada, as duas irmãs começam a ter sua vida rotineira, ir pra escola, o pai ir trabalhar e casuais visitas a mãe no hospital. O que acompanharemos ao longo da película será isso.


Não temos nenhum vilão presunçoso que queria dominar o mundo ou algo do tipo, nem mesmo a trama é complexa. A primeira vez que ouvi falar sobre Meu Vizinho Totoro comentaram que ele tem um aspecto bem infantil, mas que era divertido. Ao assisti-lo entendi melhor isso.


Realmente, ele tem um lado mais fantasioso e simples que nos prende de modo a nos deixarmos levar por esse pensamento imaginário sem limites. A sequência em que Mei esta perseguindo um dos pequenos amigos de Totoro até conhece-lo é centrada apenas na irmã caçula… A linha de pensamento fica por nossa conta, em períodos que a curiosidade da criança é maior que o medo, e uma imersão em: será que é verdade?


Basicamente sob essa observação que sustenta-se a história. Se a criança sonha com aquilo, passa a ser sua realidade construída, ou seja, se no animismo ela dá vida às coisas, no realismo dá corpo, isto é, materializa as suas fantasias. Se sonhou que o lobo está no corredor, pode ter medo de sair do quarto. E como acontece quando a pequena Mei depois do primeiro encontro com Totoro tenta encontra-lo de volta, e seu pai diz que ela só ira revê-lo se ele deixar. O expectador fica sendo cumplice da realidade dessas crianças e cabera a ele acreditar no final se é verdade ou não.

Cena clássica do ponto de ônibus, e uma das minhas favoritas.

“Meu Vizinho Totoro” tem parte da inspiração na própria infância de Miyazaki, quando sua mãe ficou internada no hospital devido a tuberculose, além de muitas refências da obra literária “Alice no País das Maravilhas”.

No começo, as duas irmas alopradas me incomodaram um pouco, correndo pra lá e pra cá, gritando sem parar, fiquei cansado só de vê-las. Mas depois você se acostuma e acha muita graça. E o próprio pai delas demonstra exatamente o oposto, o qual sempre está calmo e sensato para cuidar das duas. Temos na narrativa a presença da carinhosa Nanny, a avó do garoto Kanta, que ajuda a família sempre demonstrando aquela imagem mesmo de vovó que temos, alguém que estimula nossa imaginação e cuida de nós quando nossos pais não estão. A popularidade do personagem fez com que sua silhueta tornar-se parte da marca do próprio Studio Ghibli.


Fica aqui a sugestão de mais esse trabalho. É um intervalo entre engenhocas mecânicas para umas férias no interior do Japão, mostrando que podemos ter histórias boas e cativantes com um roteiro, que em primeiro momento pode ser considerado simples. No Brasil saiu em VHS pela Playart, e como algumas obras do Studio, esperamos que venham a ser lançadas em DVD. Enfim, pelo menos Totoro de pelúcia todos queremos. 😀

Ateh!

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