Olá para todos! Como anunciado anteriormente pela Michelli, bem vindos ao mês Hayao Miyazaki. Deremos início com este, que foi o seu primeiro filme no Studio Ghibli: Nausicaä no Vale dos Ventos (Kaze no Tani no Nausicaä).


Em meio a um deserto, vemos um viajante passando por uma vila abandonada. Muito poeira suspensa faz com que ele, e seus animais de tranporte, usem máscaras para poderem respirar. Ao ter certeza que não sobreviventes no local ele parte, também. Nos créditos de abertura, é contada uma breve história sobre o por quê daquela situação. Essa apresentação é feita por meio de ilustrações sequenciadas, em um tapete, achei isso muito legal, pois retrata as primeiras tentativas da nossa sociedade em contar histórias a outras pessoas, outrora em tapetes persas. Voltando, no filme, temos o relato de que nos encontramos 1000 anos após os chamados “7 Dias de Fogo”. Nesses dias, uma antiga sociedade industrializada entrou em guerra e devastou grande parte do solo do planeta. Nesse solo contaminado de cerâmica e fuligem, nasceu uma vegetação de fungos chamada Fukai, que expele vapores venesos que são nocisos aos humanos.


Na floresta dessa vegetação, vemos uma pessoa chegando num tipo de asa-delta, e entrando no meio da mata. Miyazaki tem o poder nos teletransportar a um universo fantastico de uma maneira única. A maneira que os personagens nos são apresentados e todo o universo em que vivem, preparam o expectador para o restante da narrativa. Vemos essa pessoa andando entre esse ninho que vivem insetos com uma naturalidade e certo respeito. Nesse momento, sentimos que aquilo tudo já chega a ser normal para eles.


Parem tudo! Comunico aqui que até eesse momento, se passaram apenas 5 minutos de filme. Porque esse aviso? As produções do diretor tem essa característica de possuirem cenas muito simbólicas capazes de nos transmitir desde explicações, a emoções e contextualização de roteiro. As vezes pode passar desapercebido, mas pensemos que essa aventura foi originada do mangá de nome homônimo, o qual o próprio Hayao também produziu, logo ele tem que aproveitar em poucos minutos da película, passar informações necessárias que as vezes possam ter sido discutidas ao longo de um único volume impresso.
Finalmente vemos a conhecer que a pessoa que admira aquela floresta Fukai é nossa protagonista Nausicaä*, a qual é uma garota jovem, super ágil, corre para lá e pra cá, parece que não se cansa. Seu tranporte inseparável é o chamado Mehve, aquela asa-delta que apareceu antes, a qual ela pilota com muita destreza.


Outro fator no filme, é a grande oposição entre natureza e industrialização. Algo interessante de ser visto, como as pessoas que vivem no Vale dos Ventos, utilizam-se muito de moinhos e em contra partida, em outros reinos, maquinários pesados. Ambos são muito bonitos visualmente, desde a delicadeza das paisagens assim como a equipamentos tecnológicos em sua riqueza de detalhes. Ao lado disso, vemos a maneira como Nausicaä trata todos os seres vivos, o carinho pelos animais e a atenção as pessoas. Uma personagem de boas virtudes, que como princesa, demonstra que não é sendo esnobe ou qualquer outra picuinha a farão melhor. É alguém que facilmente tem nosso carisma.


Ao decorrer da trama, conhecemos a comandante Kushana, encarregada de uma força expedicionária. Ela tem por objetivo ressucitar um dos lendários Deus da Guerra, os quais foram usados nos “7 Dias de Fogo”, no entanto, em prol do Império Torumekiano, o qual é leal. Dessa maneira, com esses planos pretenciosos, temos muitos conflitos entre eles e o grupo de nossa princesa, e tambem a maneira como ela terá que lidar com tudo isso.


A aventura, segue um ritmo que lembrou-me muito sequências de jogos dos vídeo-game, principalmente, da franquia Final Fantasy, onde temos momentos de calmaria, conversa, e numa reviravolta estamos correndo, lutando e tentando se salvar. A trilha sonora reforça, para mim, esse detalhe. Além de cumprir muito bem seu papel, fazendo o expectador ter suas emoções ligadas aos momentos de alegria, suspense, sofrimento, reflexão… As composições num todo, me lembram um pouco a trilha sonora do filme “Labirinto (1986)”, que foi produzida pelo David Bowie. E, do mesmo modo, duas coisas me chamaram muito a atenção: poeiras/nuvens e água. Dois elementos bem complicados de se representarem, e a equipe de produção fez esse trabalho muito bem, imagino quantas folhas foram rascunhadas e desenhadas até chegarem ao resultado desejado.




Nausicaä é uma pessoa bondosa, com bravura, determinada e tem o perdão dentre suas virtudes. Essa mesma confiança que ela transmite, vemos em suas, de muitas, sequências de vôo. Parte de sua personalidade, é originada do conto japonês “A Menina que Amava Insetos”. Num plano de fundo, poderíamos até discutir se Miyazaki não teria a intenção de nos mostrar que embora a industrialização seja uma benefício, dependemos muito da natureza, que também é retratado nos créditos finais… Mas deixe-mos isso para o pensamento de cada um.


No Brasil, o mangá vem sido distribuído pela Editora Conrad, embora que com um pouco de dificuldades.


Nausicaä do Vale dos Ventos
é uma produção que eu não conhecia, mas fiquei muito feliz em poder compartilhar um pouco dela com vocês.


Então é isso, pessoal. Logo mais tem mais… Até.

*Nausicaä também foi o nome de uma das personagens que Ulisses conhece em sua viagem de volta a Ítaca, na obra literária Odisséia de Homero.

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