Iniciando o último mês desse ano, hoje comentaremos sobre o indicado ao Oscar de 2011, para Melhor Animação de Longa Metragem: “O Mágico”.


Antes de assistir ao filme, convém estar preparado que ele é um filme parado, por assim dizer, mais psicológico do que de ação e aventura – diferentemente de muitos que comentamos por aqui – na verdade, não chega a ser uma surpresa visto que quem dirigiu foi Sylvain Chomet, o mesmo de “As Bicicletas de Belleville”. A narrativa trata-se basicamente de um mágico que entra em decadência devido a bandas de rock emergentes que surgem no cenário de entretenimento.


Durante uma de suas viagens, o mágico Tatischeff, conhece a jovem Alice que resolve sair de sua vidinha sem perspectivas futuras e acompanha-lo em busca de espetaculos por diversas cidades. Eles desenvolvem um afeto mútuo, mas tímido, um pelo outro que são demonstrados de maneira sutil, sendo nós cúmplices disso tudo. O que o filme acaba demonstrando quantas vezes temos que deixar para trás aquilo que num momento nos pareceu conchegante, mas infelizmente não podera ser guardado e ter que ser esquecido.


A sequência final do coelho é uma das mais bonitinhas, mas ao mesmo tempo bastante triste. Assim como o filme todo, que possuí um clima, não diria pesado, mas até desesperançoso. Apesar disso, bonita amizade entre os dois da força tanto para um, quanto para outro de acreditar no amanhã, ainda mais quando conhecemos outros artistas nas mesmas situações que ele. Contudo, mesmo a Alice, num dado momento, enxerga uma possibilidade de mudar de vida, e desejaria compartilhar isso com Tatischeff, mas ele acaba interpretando tudo mal (ou não). Cabe ao espectador decidir isso.


O filme é uma produção artística muito – eu diria, extremamente – bonita de ser assistida. Começamos pelos cenários, os quais são aqueles que você passeia o olhar de tantos detalhes que eles possuem, não é algo que está ali apenas para completar uma sequência, foram todos minuciosamente trabalhados. Até mesmo a parte da chuva da janela podemos considerar que são as lágrimas dos olhos da Alice que não chegaram a escorrer mas era o sentimento dela. Assim como, algo que acho muito legal, são os lugares mostrados em diferentes momentos do dia, e dessa maneira tendo desde uma cor diferente, quase que uma nova personalidade, por assim dizer.


A animação segue o próprio zelo e complexidade que fôra visto em “As Bicicletas de Belleville”, onde o traço ao mesmo tempo com um ar caricato, possuí muita expressividade, uma vez que muita gente acha que fazer algo mais “simples” seja mais fácil, porém, esquece que reduzir elementos consiste em pegar a essência da representação, algo que você antes faria com detalhes, agora em poucas linhas tem que ter mesmo significado. Uma pena que o DVD não tenha nenhum extra da produção. =(




“O Mágico” é um filme, que me lembrou muito o filme de romance “Antes do Amanhecer”, onde duas pessoas se conhecem durante uma viagem e da maneira que suas vidas mudam por causa disso, ainda mais com a sequência final de imagens na animação reforçou para mim essa comparação. O filme de roteiro original de Jacques Tati, é uma boa opção para esse período em que entramos na reta final de 2011, pois também reflete esse momento de passagem, de reflexão e um começo que acompanha o período de reveillon. Seja apenas mudança de um dia para outro, não tem como negar que o Ano Novo sempre nos inspira a tentar diferente. Enfim… 🙂


Logo mais tem mais.
Ateh o/

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