Muito mais do que os olhos podem ver, é o que podemos falar dessa animação.

A obra “Destino”, produzida da inusitada parceria entre o gênio dos desenhos animados Walt Disney, e o conceituado artista Surrealista Salvador Dali, nos levam, em seus pouco mais de 5 minutos – a uma viagem única entre o mundo da arte e da animação.

Devido ao período de Guerra, em 1946, os estúdios Disney estavam produzido apenas filmes animados que eram utilizados para o treinamento do exército estadounidense. Não havia investimento para produções de longa metragens, e era período da produção de curtas animados, muitos deles apresentados pela Silly Symphonies. Contudo, Walt Disney percebeu que poderia extrapolar o limite das animações de curta duração… Foi quando conheceu, pessoalmente, Salvador Dali, que estava nos Estados Unidos, fugindo do caos na Europa. Disney estava muito interessado na arte de Dali, e o artista, por sua vez, curioso pela técnica de imagens em movimento. Nascia um casamento entre dois gênios dos século XX.

O espetacular trabalho manual era feito inicialmente por Dali, todo o concept de cenários e quadros principais, e o animador John Hench teve a tarefa de unir as sequências. Com uma incrível habilidade, os traços tornaram-se tão semelhantes que o próprio artista já não mais distinguia quais era os seus desenhos ou os do companheiro.

A canção folclórica mexicana “Destino”, de Armando Dominguez e interpretada por Dora Luz, tornou-se o título do trabalho, pelo fato de nos mostrar o constante conflito com o tempo pela espera de nosso próprio destino.

Como, nem tudo que é bom dura para sempre, pedidos para produções de longas metragens apareciam nos estúdios Disney, novamente, e devido a alguns desentimentos o projeto ficou de lado.

Somente no ínicio da década passada, o criador de animação, Roy Edward Disney, neto do fundador da empresa, resolveu levar adiante o projeto. Dominique Monfery foi convidado para a direção desse trabalho, sendo que seu estúdio, já havia produzido, em parceria, minutos para clássicos Disney, como “O Corcunda de Notre-Dame”. O diretor sentiu a responsabilidade da produção, mas – felizmente – acabou aceitando. Sua adição a equipe foi, com certeza, essencial.

O filme é repleto de referências de obras de Dali de até os anos 40. Vale a pena conhece-las para usufruir melhor da animação, que soa muito mais como se fossem os próprios quadros em movimento mas com o ar Disney de ser. A obra foi exibida pela primeira vez em Junho de 2003 na França, para posteriormente só em dezembro – do mesmo ano – ir para os Estados Unidos. Esse trabalho que teve um início desprentencioso, sem fins comerciais, apenas a arte pela arte, hoje é considerada uma obra significante tanto para o acervo de Disney, como para o do próprio Dali.

Na época, em entrevistas, cada um dava seu ponto de vista, Dali dizia que o curta era “Uma exposição mágica do problema da vida no labirinto do tempo”; já Walt Disney: “Somente uma simples estória sobre uma jovem garota em busca do verdadeiro amor”.

Verdade seja dita, “Destino” é um projeto singular de “um desenho animado nunca antes visto”.

O curta faz parte dos extras do Blu-Disc de Fantasia 2000, lançado no final do ano passado, aqui no Brasil.

Também faz parte do conteúdo bônus um documentário relatando todos os detalhes da trajetória desse projeto. Fica como lição de casa assistirem. 😉

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