Vida Real

Alô, alô, planeta Terra chamando! Este é o diário de bordo da blogueira que vos escreve.

Tiquin de Mim: Coleção de Chaveiros de Viagem

coleção de chaveiro de viagem

Depois de contar pra vocês sobre meu perfume super especial que ganhei de presente, resolvi dividir mais um “tiquin” de mim. Desta vez vim mostrar a coleção de chaveiros de viagem que eu e o marido temos.

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chaveiros de viagem

Colecionando coisas

Quando eu era pequena eu tinha coleção de cartões telefônicos. Talvez se você cara leitora – ou leitor – tiver menos de vinte anos, possa não se recordar desta tecnologia toda utilizada para ligar para pessoas, os famosos telefones públicos, mas na minha infância e metade da adolescência esses cartões eram muito utilizados e tinham figuras bem diferentes e bonitas, por isso muita gente colecionava. Já o marido é o doido das coleções: latinhas de refrigerante/cerveja, cartões telefônicos e maços de cigarro estão entre as coisas que ele ainda tem na casa da mãe dele.

Colecionando Chaveiros

Quando começamos a trabalhar e por isso passear mais, começamos a querer ter uma lembrança de cada lugar que nós íamos. Globinhos de neve não são facilmente encontrados no Brasil, shots de bebida você não vai encontrar em Poços de Caldas, mas uma coisa que temos em quase todos os lugares é aquele ítem que toda tia traz das viagens e são super baratinhos: chaveiros. Estava aí então determinado o item obrigatório de toda viagem e passeio que faríamos.

chaveiros de viagem

Nossa coleção de chaveiros

O primeiro chaveiro que compramos foi do musical Mamma Mia, que o marido da minha mãe levou a gente pra assistir. Estávamos na faculdade e foi o primeiro musical que João Manoel (vulgo, meu esposo) assistiu. Depois dele vieram tantos outros como Rei Leão, que também está na nossa coleção.

Em cada cidade ou evento marcante que vamos – OI ROCK IN RIO! – compramos o chaveiro mais diferente e que tem a ver com o lugar que estamos. O da Argentina, quando viajamos pra Foz do Iguaçu é um apitinho de cerâmica mega fofo com uma lhama, o de Penedo é um pedaço de madeira gravado com aquela caneta quente, Londres tem um ônibus de dois andares e Ubatuba uma tartaruga super fofa pra lembrar a visita ao Projeto Tamar.

chaveiros de viagem

Decidimos há algum tempo colocar todos eles em um painel e pendurar na parede. O painel é de cortiça e colocamos pins pra poder arrumar quando um novo chaveiro chega pra coleção, assim sempre fica organizado. É uma delícia ter algo assim em casa, pois cada um desses objetos nos lembra momentos muito especiais e dá mais ânimo para pensar em novas viagens.

E vocês, tem algum jeitinho de manter lembranças gostosas sempre vivas? Conta pra mim!

Quando comecei a chorar em casamentos

Lenço de Casamento

Eu lembro de dois casamentos que fui quando era criança. Um de uma professora da escola da minha mãe, no qual lembro vagamente que devo ter ido de meia calça branca e uma saia preta, e talvez a noiva estivesse segurando um buquê de rosas vermelhas. O outro foi de um primo meu. Me lembro da confusão que fizemos pra chegar na igreja em um época sem GPS e celular cheio de coisas e do padre com um sotaque forte brincando com alguém quando um celular tocou no meio da cerimônia e ele solta a frase: “Jesus está chamando!”.

Depois foram anos e anos sem ir em alguma comemoração do tipo, só acompanhava casamentos por filmes e seriados, tudo bem distante. Só que a gente cresce, cria laços de amizades e esses amigos começam a se casar e convites começam a pipocar na sua mão. Quando percebi, lá estava eu vendo vestidos, sapatos, maquiagem e me preparando para ser até madrinha.

Já fui em casamentos no cartório, com festa grande, festa pequena, sem festa, em salão, em igreja, a céu aberto… meu repertório é bem vasto, até quando se fala em religiões: católicos, quadrangular, testemunha de jeová ou sem religião nenhuma específica. Em todos a fui eu senti aquele clima gostoso no ar, que só fui entender depois que cresci.

Quer coisa mais linda que um casamento? Todos unidos ali para celebrar o sentimento que mais parece esquecido no dia-a-dia da humanidade: o amor. Duas pessoas acreditando nele, pensando em um “felizes para sempre” e dizendo isso pra muita gente.

Minha parte preferida é quando a noiva entra. Eu gosto de olhar pro noivo. A cara de felicidade – às vezes de surpresa – pela roupa tão diferente, o cabelo, a maquiagem daquela pessoa que ele vê sempre, mas naquele dia, naquela hora específica, está tão diferente, tão preparada pra um dia que eles planejaram tanto e que de repente chegou.

Foi no meu primeiro casamento depois de crescida que eu descobri que sou dessas que chora. Era um amigo querido, eu não conhecia ele pessoalmente internet e essas coisas da vida e vim de longe pra demonstrar meu carinho pelo momento dele e da noiva. Conversávamos muito há anos, ele contava com animação sobre os preparativos e fiquei surpresa quando recebi o convite. Naquele casamento lá em 2012, na hora que eu vi a noiva entrar e vi a cara de felicidade dele, eu chorei. As lágrimas foram crescendo com a música e quando dei por mim, estava limpando o rosto com as costas da mão.

Desde então, eu choro nos casamentos. Se os votos forem falados pelos noivos então, eu vou me debulhar em rios de lágrimas. Não importa a decoração, o lugar, a religião, eu vou chorar. O espírito da alegria do momento, daquela felicidade de ver duas pessoas que se amam me invade, ai eu misturo com meu signo de câncer e meu jeito meigo e romântico de ser, e choro. Sempre. E acho que sempre vou chorar, porque eu acredito no amor e sempre que puder vou festejar ele com quem me convidar, mesmo que seja só pra ver uma troca de alianças no topo de uma montanha.

Não aprendi dizer adeus

Adeus, tchau, bye, au revoir…

Pessoa deitada na cama
Foto: Gregory Pappas

Quando era pequena e minha mãe dizia que os filhos dela eram do mundo, que um dia eles iriam sair daquela cidade pequena do Sul de Minas Gerais, eu achava interessante. No partir via possibilidades, descobertas, aventuras e novidades. Quem não gostaria de uma vida com tantas novas descobertas? Sei de pessoas que dispensam estas coisas, mas eu disse como minha mãe falava, não? Ela criou a gente passarinho solto, e quem nasce assim dificilmente sonha com gaiola.

O tempo passou e conseguimos trilhar nossos caminhos para fora daquela cidade que abraçou toda nossa infância. Ali deixamos nossos joelhos ralados, as brigas de crianças, bolas no telhado, as escapadas para andar de bicicleta na rua, a canja da vovó quando ficávamos doentes, as tardes estudando e o melhor arroz e feijão de vovó do mundo. Escolhemos tudo que conseguíamos levar nas malas e partimos para descobrir o tal do mundo.

Durante anos os feriados foram feitos para reencontros: de estômagos com comidas gostosas, de histórias de cantos diferentes e de braços com abraços. Voltávamos sempre de malas cheias de comida e abastecidos com o melhor carinho e amor de família que poderíamos ter.

(Você leitor pode estar meio confuso, mas conto tudo no plural, pois assim como eu, meu irmão também se jogou nesta vida maluca de estudar fora. Com um ano de diferença fizemos nossas “matulinhas” e deixamos o aconchego do lar, dois passarinhos voando alto.)

A faculdade passa, as aulas terminam, a vida de adulto te chama. O nervosismo, o primeiro emprego, as primeiras responsabilidades como alguém que trabalha e contribui para a riqueza do país. De repente, percebemos que estamos há onze anos longe da casa dos nossos pais. Como foi que tantos anos passaram assim, num estalar de dedos?

As férias de julho deixaram de ser algo importante, os boletos chegam, mas eu posso sair e tomar meu sorvete preferido no dia que eu quiser. Conheci outros continentes e pude ver meu irmão voar mais longe ainda, mas apesar de tudo isso, de todo este tempo fora, eu ainda não aprendi a dizer adeus.

A cada reencontro e partida, um nó pára na garganta com aquela sensação que tudo correu demais. A saudade ainda está ali. Percebo que quando a gente ama tanto as pessoas, não importa o tempo que fiquemos, sempre temos a sensação de que foi rápido demais. Que poderíamos ter ficado mais cinco minutos, que esquecemos de contar uma história, jogar mais uma bola e abraçar um pouco mais.

Os trinta

Eu segurando uma bicicleta com Invalides e árvores ao fundo

Minha psicóloga – maravilhosa – repete sessão ou outra a seguinte frase: “sempre que você estiver em contato com quem você realmente é, você vai estar bem”. Acho que nunca uma frase fez tanto sentido pra mim quanto neste último ano. Acontece que é difícil estar em contato com quem realmente somos, pois pra isso acontecer temos que saber quem somos.

Filosofias à parte, este último ano foi o ano de acertar alguns ponteiros. Vai ver tem a ver com a parte que a psicóloga também diz: que os 30 anos são a porta de entrada para a primeira maturidade. Viajei, tive momentos incríveis com meu irmão, que estão guardados com o maior carinho do mundo na minha memória, conheci a Disney Paris, me senti em filmes medievais na Escócia, fiquei 2 meses longe do noivo trabalhando que nem doida, apesar de sentir medo, voltei para o mercado de trabalho, achei um lugar que eu finalmente me senti confortável e estou experimentando uma paz que há tempos não sentia. Conheci pessoas incríveis, passei por momentos bem malucos e cheguei aos trinta.

Aos trinta eu percebo tanta coisa. Parece que o mundo tem mais clareza, me entendo melhor no mundo, meus gostos, sonhos, preocupações. Algumas coisas já ganharam um foda-se bem gigante e com isso alguns pesos saíram das costas e como é bom se livrar de algumas coisas.

Hoje sinto meu coraçãozinho cheio de amor, como quando andava de bicicleta com meu irmão às margens do Sena com um pôr-do-Sol lindo, o vento batendo no meu rosto e chacoalhando meus cabelos. Estava um clima delicioso, nem calor, nem frio. As pessoas compravam cafés e se sentavam pra ver a luz do sol refletindo nas águas do rio. Um cheiro de café e crepe estava no ar. Meu coração se encheu de alegria. Lágrimas me vieram aos olhos e eu tive a experiência do que se chamam sentir-se plena.

Atualmente este sentimento se repete com frequência e eu não preciso estar lá pra sentir isso, apenas preciso estar em um lugar calmo, talvez uma música boa rolando ao fundo e uma bela paisagem ao alcance dos olhos. Pode ser a luz do nascer ou do dormir do sol – minhas iluminações preferidas. Acho que é isso que chamam de Carpe Diem.

Aos poucos a ansiedade vai sendo controlada e o um dia de cada vez aparece mais presente na minha vida. Coisas que só o tempo pode te trazer.

Não trocaria meus 30 pelos meus 15. Sou muito melhor como pessoa hoje, sou mais saudável, tenho capacidade de correr atrás de meus sonhos (e de correr também porque nos 15 era bem terrível nisso), tenho menos vergonha e me preocupo muito menos com que os outros vão pensar, o tempo amigos, ele é o verdadeiro mestre.