Leituras

Aquele livro de cabeceira, o mangá que coleciono ou o quadrinho que resolvi ler.

Pot Pourri | Isadora Zeferino

Conheça o livro Pot Pourri com artes de Isadora Zeferino.

Capa do livro Pot Pourri de Isadora Zeferino
Capa do livro.

“Você poderá ver todas as minhas peças e séries favoritas, combinadas com novas e exclusivas artes e notas que esclarecem não apenas o passo a passo do processo, mas também o que está em minha mente quando tento abordar certos tópicos de forma criativa! E por mais que eu tenha tentado abordar este tópico antes, esta será a primeira vez que eu poderei falar sobre o meu processo de criação de forma tão completa.” Isadora Zeferino

Página do livro Pot Pourri de Isadora Zeferino
Página interna do livro Pot Pourri.

O que achei de Pot Pourri?

Desde quando Isadora lançou o projeto para financiamento coletivo eu estava de olho na publicação. Como boa fã da artista, eu desejava ter este trabalho em mãos com toda a minha vontade, porém só adquiri um exemplar na Comic Con Experience de 2018 em São Paulo, que consegui ir por ter vencido um concurso do evento.

Demorei a sentar e ler o livro pois este é um material que deve ser degustado, apreciado bem devagar. Então me dei conta que ele estava na minha prateleira e que merecia a devida atenção, então peguei ele em uma tarde gostosa e li. Como fiquei feliz em fazer isso desta maneira.

Um dos meus preferidos, as mulheres com obras de artistas famosos.

Além de conhecer melhor sobre Isa (agora tô íntima), pois ela conta sobre as coisas que mais gosta de desenhar no livro, podemos acompanhar o processo criativo dela, sketches e tudo isso com comentários da própria ilustradora.

Aliás, os rabiscos são minha parte preferida. Alí, bem crus eles conseguem já dizer tanta coisa e fazem com que a gente veja o nascimento de uma ideia.

O que mais me encanta em todo trabalho dela, é como as sensações e sentimentos são transmitidos, muitas vezes em formas mais simples. Nada de realismos aqui, e sim muita expressão.

Com certeza uma pequena relíquia, que me inspirou muito voltar a dar atenção para meus desenhos e entender que o importante é o que você transmite com eles.

Quadrinho: O Guia da Flórida para Crianças Grandes | Bianca Nazari

Capa do Guia da Flórida para Crianças Grandes
Capa do Guia da Flórida para Crianças Grandes

Sinopse

“Um diário de viagem ilustrado que conta as experiências que a autora teve quando viajou para os Estados Unidos em julho e agosto de 2018. O diário tem historinhas autobiográficas engraçadas passadas na viagem, aspectos culturais dos americanos, muito sobre a comida de lá e outras informações e dicas sobre a Flórida e a Disney. “

Feijoada nos EUA - O Guia da Flórida para Crianças Grandes
Como fazer feijoada nos EUA.

O que achei do quadrinho?

Tive o prazer de conhecer a Bianca ano passado em uma palestra aqui em São José dos Campos. Depois disso encontrei ela novamente na CCXP em São Paulo, não aguentei, e comprei o quadrinho, pois ele é mais fofo ainda ao vivo.

O capricho e o cuidado da Bianca com a produção do material é visível. Ela escreveu à mão todos os textos internos, além de – claro – ilustrar cada passagem.

Adorei como ela conta de maneira leve e divertida as experiências gastronômicas e os passeios que fez na Flórida. Quem segue ela em mais lugares vai entender como comida tem TUDO a ver com Bianca, então esta parte não poderia faltar!

Além das experiências, a ilustradora ainda deixa gravado todo o carinho pelas pessoas que conheceu no lugar e dá pra sentir toda felicidade e gratidão dela pela viagem que fez.

O Guia da Flórida para Crianças Grandes pode te ajudar com algumas palavras em inglês, como descobrir que collard greens é couve (não sabia) e te deixar morrendo de vontade de experimentar um impossible burger, mas o mais gostoso vai ser ler essa história fofa.

Dedicatória no quadrinho feita pra mim pela Bianca.
Dedicatória que a Bianca fez na CCXP pra mim.

Livro: como publicar o seu?

Como publicar um livro?

Coleção Castelo de Cartas

Eu tenho uma vontade bem grande de um dia ter algo publicado com meu nome na capa – e nas ilustrações – mas enquanto isso não acontece, eu achei que uma amiga minha poderia ajudar bastante a esclarecer algumas dúvidas de quem quer fazer a mesma coisa, mas não sabe como colocar em prática, então apresento pra todo mundo: Camila Loricchio.

Camila LoricchioA Camilinha é designer, escritora, mestre em desenvolvimento, tecnologias e sociedade (chique demais), escreve desde 2011 no blog Castelo de Cartas, mesmo nome da trilogia de livros que ela escreveu (tenho todos), e ela ainda trabalha como revisora e assistente editorial. Tive o prazer de conhecê-la na época da faculdade – ela é minha bixete) e estou desde então acompanhando as coisas legais que ela faz.

Então a partir daqui quem fala é ela. Camila, bem-vinda, a casa é sua!

Publicando com ditora

Publicando com Editora

Meu primeiro livro (o Castelo de Cartas – Valete) foi lançado lá em 2011, por meio de uma editora. A experiência acabou não sendo das melhores, mas serviu pra conhecer um pouco do mercado e descobrir uma coisa que vai aparecer em todos os casos de publicação impressa independente: LIVRO OCUPA ESPAÇO.

Junto dessa experiência, no meu trabalho recente como assistente editorial numa editora independente, eu pude trabalhar com o outro lado da moeda, ajudar escritores a publicarem por meio da editora. Vamos aos prós e contras desse tipo:

Prós:
Você tem um apoio editorial super joia que te ajuda com a revisão, diagramação, distribuição, estoque, notas fiscais, acertos, e contatos no mercado.

Contras
O que o autor recebe é bem pouco se for considerar o todo (depois de entender os custos que envolvem uma editora, eu acho que é justo num mercado que cobra tanto, mas é completamente impossível viver de livros dessa forma), é cerca de 10% do preço de capa do livro. As livrarias também pegam uma bocada, vai custo de impressão, da equipe que trabalhou, e tudo o mais.

Em suma, vale e muito por todo apoio e expertise aos quais você pode ter acesso, mas o retorno é bem a longo prazo! Também é bom frisar que tem editora que cobra pra publicar e editora que cobre os custos, e também algumas em que você investe o valor e recebe conforme as vendas. (Nem preciso dizer que é sempre bom achar uma editora em que você confie e MUITO, ler o contrato com muita atenção e desconfiar de quem tá pedindo demais e não dando nada em troca, escrever é trabalho. 🙂

Livro independente

Publicando um Livro Independente

Depois da experiência com meu primeiro livro, eu acabei enveredando pelos caminhos da independência, então o meu segundo foi feito totalmente independente, foi o Castelo de Cartas – Dama em 2013. Era a continuação do primeiro, eu estava no fim da faculdade, meu namorado também fazia design e já trabalhava numa editora. Então já que ambos tínhamos uma noção do que precisava fazer, fizemos toda a diagramação, revisão, e mandamos imprimir uma tiragem mais coerente.

Outro ponto que já vou trazer aqui referente a publicação impressa é: Tiragem.
Muitos livros significam que você precisa ter um capital maior pra investir, e saber se vai ter vazão. E lugar pra guardar, porque novamente, eles ocupam espaço, pesam, acumulam pó, podem ser danificados e mais mil coisas.

É sempre bom alcançar um equilíbrio entre uma tiragem que valha pelo preço (quanto mais livros menor o preço por exemplar) e que você consiga vender.
Outra coisa é que, se você quer fazer tudo completinho, vai ter de lidar com um prefixo editorial, e isso é mais custo, pensar nos registros na Biblioteca Nacional e tudo o mais. O legal é que fazendo um prefixo você pode publicar um tantão de livro e registrá-los. Então vale bastante.

Nesse tipo você também tem que saber bem mais sobre o processo que envolve fazer um livro, tem que saber falar com as gráficas, com os profissionais que vão fazer o que você não consegue ou não quer/pode fazer (diagramação, leitura crítica e sensível, revisão, capa). O que é bem legal pois a gente acaba tendo contato e entendendo o que realmente envolve fazer tudo isso. Eu particularmente gosto pacas.

Vamos aos prós e contras desse tipo!

Prós:
Tudo que entra é seu. Você tem mais controle criativo sobre o projeto, mesmo não fazendo com alguém pode ter amigos e contatos pra trocar ideias e fazer a obra da melhor forma possível.

Contras:
Tudo que sai também é seu. Nesse caso a gente teve que pagar apenas a impressão, pois fizemos nós mesmos a parte de design e revisão (hoje em dia eu diria que nunca é bom a gente mesmo revisar nossa própria obra, contrata alguém joia pra fazer esse serviço pra você!), mas a impressão é uma das partes mais caras hoje em dia, então você já precisa ter esse dinheiro disponível e ter a consciência de que vai demorar pra recuperar. Você também precisa lidar com o estoque, controle das vendas, divulgação e tudo que a editora faria pra você. E ao mesmo tempo que é muito legal, cansa bastante.

Alguns desses contras conseguem ser rebatidos com uma coisa linda e maravilhosa que entrou pra ficar na minha vida, que é a terceira modalidade:

Independente com Financiamento Coletivo:

Essa já é minha menina dos olhos haha
Já fiz dois livros por meio de financiamento coletivo, o Castelo de Cartas – Rei (de 2016) e a HQ Desenredos (de 2018! Essa feita em parceria com o Pedro Vó).
O financiamento coletivo é uma etapa a mais pra todo mundo que não tem o capital que a gente comentou anteriormente pra investir (que basicamente é a grande maioria de todos nós). Como vender é a parte difícil, o financiamento já te ajuda a fazer quase uma pré-venda lindona e ver quem tá afim do seu trabalho, de conhecer suas leitoras e leitores e de tornar as pessoas parte do projeto. É uma delícia. Dá um trabalho a mais? Sim. Mas vale muito. E te desgasta muito menos financeiramente e na hora da divulgação.

Vai acabar envolvendo os mesmos prós e contras do anterior, mas com a vantagem de já estar sendo um tipo de ação muito usada pelo meio independente (e também por editoras!), assim a galera que lê já está acostumada a lidar com isso e ajudar.

Claro que nesse caso entram algumas questões a mais: você precisa se preparar com uma logística de envios, recompensas viáveis, responsabilidades e orçamentos bem firmes pra não ficar no prejuízo. É aquela coisa, pesquise os projetos que deram certo, conheça as plataformas (tem Catarse, Benfeitoria, Kickstarter, uma penca!), veja as diferenças entre cada um, taxas, tempo, se organize, e ahaze.

Isso tudo que falei até agora foi pra livros impressos, mas e os famigerados ebooks?

Livros Digitais

Livros digitais:

Eu estou no processo de revisar os livros da Trilogia das Cartas pra poder lançar em ebook. Ebook hoje é super prático, você leva pra qualquer canto e é uma super chance de facilitar o acesso pra qualquer um sem depender do meio físico e de transportar o livro (e de imprimir, né).

Pra diagramar ebook pra várias plataformas dá um trabalho (por isso vários ebooks não são tão em conta assim! Às vezes o preço chega a ficar mais caro do que o impresso, dependendo da complexidade do projeto), então se você não consegue fazer isso por conta, não tem como pagar alguém joia pra fazer isso pra você, tem vários meios de autopublicação (como na Amazon). Nesse caso é sempre bom, novamente, ficar atento aos contratos, se envolve exclusividade, quanto do preço de capa fica pra você e pesar tudo certinho. 🙂

Esse é o meio mais acessível sem depender de muita coisa, outra opção, mais independente impossível, vai em muitas feiras é:

Zines

Zines xuxus:

Zine é o rolê mais independente possível, não precisa de ISBN, dá pra fazer em casa, pode fazer com uma única sulfite, xerox, a criatividade é o limite. E muitas vezes é uma chance super joia de mostrar seu trabalho pra quem não conhece.
Acabei lançando um esse ano, o Serial Zine, super simplão, com uns contos, e é isso.

Prós:
Tem muuuuuita referência de zine joia por aí, dá pra despirocar na criatividade, é barato, você apresenta seu trabalho de uma maneira super lindeza e é gostoso de fazer.

Contras:
Se baixa a pessoa megalômana sai caro. Acho que só isso.

Bem, gente, tem mais mil detalhes e mil coisas que envolvem a gente publicar um livro, a ideia era fazer um tourzão rápido pelos tipos de publicação com os quais tive experiência, o rolê mesmo é analisar o que você tem em mãos, o que rola no momento, conversar muito e ir pesquisar.

Se tiverem dúvidas deixem aí que a gente volta pra sanar!
E, claro, nunca deixar de escrever.

Leitura: O Inferno Somos Nós. Do Ódio à Cultura de Paz | Leandro Karnal e Monja Coen

“O Inferno Somos Nós”, um livro pra pensar.

Sobre o livro

“Vivemos dias difíceis, de vozes múltiplas que parecem nunca dialogar, ávidas que são para atacar e julgar. Em tempos adversos como o que vivemos, de crise, preconceito e intolerância, como transformar o ódio em compreensão do outro em suas diferenças? Como sair de um cenário de violência e construir uma cultura de paz?
O historiador Leandro Karnal e a Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen-budista do Brasil, conversam nesse livro sobre essas e outras questões, em diálogo inspirador. Os autores lembram que o medo pode estar na origem da violência e apontam como o conhecimento, de si e do outro, é capaz de produzir uma nova atitude na sociedade, menos agressiva e mais acolhedora.
‘Localizar o mal no outro é uma panaceia universal’, observa Leandro. Mas, talvez, o inferno não sejam os outros, como pensava o filósofo francês Jean-Paul Sartre, e sim nós mesmos.”

Você também pode gostar deste post: “Crer ou Não Crer | Pe. Fábio de Melo e Leandro Karnal

O que achei?

Depois que falei aqui sobre o livro de Karnal com o Pe. Fábio, tive o prazer de receber um e-mail querendo me enviar um livro do Karnal com a Monja Coen. Como negar livros é algo feio é claro que aceitei! Ainda mais um que já estava namorando havia um tempo. Ele chegou bonitinho e entrou na minha lista de leituras, até que chegou o dia dele.

Achei um livro de leitura deliciosa, fluida e bem fácil, que faz a gente pensar bastante. Gosto de saber mais sobre alguns comportamentos, sempre tentando entender como as pessoas se sentem, o que passam, assim melhorando a cada dia mais minha empatia para me tornar uma pessoinha melhor no mundo e para o mundo. Este livro com certeza faz a gente repensar muito em algumas atitudes e talvez ajude a gente a compreender um pouco mais o outro que pensa diferente da gente. Compreender, e não passar a mão em pensamentos de ódio.

Com muitos questionamentos sobre o modo que vivemos, como nos comportamos nos dias atuais, o que assistimos, o que nos é mostrado, a conversa dos dois pode inspirar e fazer a gente repensar muita coisa, ainda mais em tempos de tanta polarização. Indicaria este livro para tanta gente! Por isso estou aqui fazendo um post, pra quem sabe, algumas pessoas se inspirem a lê-lo.

Melhores Frases

“Não devemos aceitar tudo, não podemos aceitar qualquer maneira de ser e pensar. Não. Nós podemos compreender que existem pessoas que façam discriminação de gênero, discriminação entre mulheres e homens, discriminação por cor de pele (…). Podemos compreender, mas não permitir que isso se manifeste, que se alastre.”

“Quando a Educação não é libertadora, o sonho do oprimido é tornar-se opressor e substituir aquela dor e apenas pensar que o chicote é ruim porque não estou no cabo dele na minha mão. Se estivesse na minha mão eu estaria feliz.”

“Quase todo mal do mundo, quase toda cultura de guerra, de violência, de racismo, de misoginia é feita em nome do bem. É muito raro encontrar pessoas que assumam que fizeam algo em nome do ódio ou da raiva.”

“Quando condenamos o hábito alimentar de alguém o tipo de roupa que ele veste ou a ausência de trajes, estamos falando de algo que incomoda mais a nós mesmos do que qualquer outra coisa, e muito menos sobre o outro, sobre o bem ou sobre caridade e assim por diante.”

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