mae_2015

Pode parecer engraçado, mas só depois que saí de casa e mudei de cidade que comecei a me sentir mais próxima da minha mãe. Quando eu era pequena sempre usava pedaços de papel dos mais variados jeitos e tamanhos pra mandar bilhetes de “Eu te amo mãe” e “Eu te amo pai”. Era uma coisa comum que vinha sempre, mas com o passar dos anos muita coisa foi acontecendo e isso acabou por se perder no vento. Não sei quando aconteceu essa quebra, mas uma hora eu simplesmente parei de falar. Não só “eu te amo”, mas tudo. Talvez por medo, por receio de sofrer alguma repreensão, julgamento ou qualquer outra coisa que se passa na cabeça de um adolescente. Todo mundo “aborrece”. É uma fase que tentamos achar nosso lugar no mundo, temos que lidar com a pressão de escolher uma carreira, estudar pra alguma coisa, achar que não servimos pra nada, tentar fazer amigos (quem sabe um namorado?), nos encaixar em algum grupo, sentir a pressão vindo de várias partes da família e do mundo. Sem contar que estamos desengonçados, crescendo desproporcionalmente e tendo que lidar com todo tipo de coisa que acontece na nossa cabeça em mutação.

Minha mãe não foi uma daquelas mães de margarina, aquelas tipo amigas inseparáveis que vemos na novela e podemos contar de tudo que ela vem com uma dica pra gente. Mas como minha mãe mesma diz: “mãe não tem manual de instruções”. Eu não acho que ela tinha que saber mesmo. Hoje estou onde estou por conta da educação que tive em casa e tenho uma proximidade muito maior com ela, cheia de ligações que duram horas e uma liberdade pra falar praticamente tudo que eu quiser. Mãe, antes de qualquer coisa no mundo, é uma pessoa. Ela é normal, dorme, come, se preocupa, cansa e se chateia, assim como nós.

Por isso o que eu nunca disse para minha mãe é que mesmo que ela não tivesse manual de instruções pra saber como é ser uma mãe, ela acertou. Ela tem que parar de pensar que é culpa dela eu ter crises pânico ou coisas assim. Tudo isso é coisa que não dá pra se explicar. Sei que ela fez tudo que estava ao alcance dela pra dar o melhor pra mim e para meu irmão e isso é o que importa. Hoje cada um seguiu o caminho que escolheu e está feliz morando onde quer que seja graças ao que tivemos em casa. Sei que somos pessoas honestas, com valores de família, amor, amizade, carinho e que isso é mais valioso do mundo. Nada como uma tarde andando na rua e tomando um bom milk shake de chocomenta pra matar a saudade e conversar sobre tudo que aconteceu, acontece e vai acontecer.

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Te amo mãe, feliz dia das Mães.

Todo mundo tem uma história de algum momento marcante/emocionante que a mãe foi fundamental, mas a gente nunca teve coragem de agradecê-la por este momento. Ou ainda, aquilo que ela ensinou para você, mas nunca teve a oportunidade de fizer o quanto aquilo foi fundamental na sua vida. Essa é sua chance de declarar seu amor e a gratidão por sua mãe! Rotaroots

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