Aurora, hoje vou te contar como foi que você nasceu. Está pronta?

Em casa

No dia 4 de junho papai estava trabalhando e eu senti uma vontade enorme de dormir e ficar encolhidinha no sofá. Eu mal sabia, mas começava ali sinais do meu corpo de que você queria vir ao mundo.

Naquela quinta-feira de noite eu comecei a sentir cólicas ritmadas. Fui tentar dormir seguindo a orientação de todos que nos ajudavam. Papai acordava a todo instante preocupado comigo e eu abraçava cada vez mais forte os travesseiros. Aquele ar de ansiedade começava a tomar conta da gente: seria hoje? Estava na hora?

Depois de uma noite de contrações, segui num ritmo até a hora do almoço de sexta, quando elas começaram a vir mais fortes.

A equipe toda veio em casa: Jana (a nossa doula), Jeanne (nossa obstetriz) e a Jaque (a fotógrafa que ia registrar sua chegada), todo mundo pronto pra ajudar e apoiar. Estava com 1 centímetro de dilatação e as coisas começavam a esquentar, a obstetriz disse que naquele ritmo, até o fim da tarde você nasceria.

Só que então, tudo se acalmou. As contrações começaram a parar, foram ficando cada vez mais espaçadas e até meu rosto voltou a ter cor.

No fim da tarde, depois de tanto tempo, estava com só 2 centímetros de dilatação. Só que seu coraçãozinho começou a bater muito mais rápido e fomos orientados a ir para o hospital fazer um cardiotoco e saber como você estava.

No hospital

Chegando no hospital eles não deixaram a Jana nem a Jaque entrarem, que droga de pandemia bem na nossa vez, né?

Muitas contrações depois, seu coração não dava sinais de diminuir o ritmo. A médica sugeriu romper a bolsa pra saber se você acalmava e assim foi feito. Tudo começava a ficar mais intenso, hoje não tenho mais lembranças de dor, mas sei que eram fortes.

“Aurora está com os batimentos muito acelerados, ela tá alta, defletida e seria prudente a cesárea.”

Nesse momento, o medo daquela cirurgia me invadiu, não era aquele plano inicial. Tinha estudado, procurado tanta informação, preparado meu corpo tão profundamente, queria tanto que você viesse de maneira natural, mas eu queria o melhor pra gente e lá fomos nós: uma cesárea intraparto humanizada.

Você já chegou ensinando pra gente que não temos o controle de tudo e que as vezes temos que ser flexíveis.

A pediatra escolhida, Paula, estava chegando pra te recepcionar da melhor maneira e tudo estava sendo preparado. Papai se vestia, me ajustavam e ligavam cabos. Lembro das contrações, da Dani me ajudando a levantar pra levar anestesia.

Aliás, o anestesista, único que não era da equipe que escolhi, resolveu me amarrar e atrapalhar um pouco na hora que você nasceu, mas ainda bem que nossa equipe tava preparada e logo me soltaram e fizeram tudo como a gente escolheu.

E ai você chegou

Às 21h da sexta-feira, dia 5 de junho, você veio pro mundo. Era lua cheia de morango (o que isso significa? não sei) e nosso mundo tinha acabado de se transformar pra sempre. Agora eu, você e papai viramos um time de três.

Tivemos nossa hora de ouro, eu não conseguia parar de tremer. Queria tanto ter aproveitado mais aquele momento, mas foi o melhor que tivemos e foi incrível sentir seu calor em mim, ver seus cabelinhos sujos e sentir sua respiração. Logo depois papai foi te recepcionar, ajudar a te vestir e te conhecer. Então você veio mamar e fez isso como se sempre soubesse.

A cirurgia foi tranquila, com a equipe que escolhemos, a mamãe estava muito nervosa, mas deu tudo certo. Estávamos bem. Ali estava você. Ali nascíamos pai e mãe.

Suas roupinhas já estavam pequenas, pés e mãos cumpridos e uma carinha bem misturinha entre papai e mamãe. Escolhemos não te dar banho, assim você aproveitaria o máximo do vérnix que vinha com você.

E assim foi seu nascimento Aurora, e também o da mamãe Chell e do papai João.

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